Ameaça de desindustrialização segue em crescimento

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Ainda que a América Latina tenha registrado seu maior consumo em 6 meses, déficit comercial da região continua impactando a indústria

América Latina Jan-Abr de 2019:

  • Produção de aço bruto: 20,7 milhões de toneladas;
  • Produção de aço laminado: 16,7 milhões de toneladas.

Alacero - São Paulo, Brasil, 31 de maio de 2019. O clima para fazer negócios na América Latina piorou entre janeiro e abril, devido às turbulências que atravessam a economia brasileira, a maior da região, segundo o informe trimestral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Brasil e do Instituto de Pesquisas Econômicas (ifo) da Alemanha. Além do Brasil, outro país que contribuiu com a piora do índice foi o México, enquanto Colômbia e Peru foram os únicos países que apresentaram uma melhora no período. A balança comercial argentina teve saldo positivo, apesar de baixo, e deverá ser acompanhado. A maioria dos bancos centrais mantiveram as taxas estáveis em reuniões recentes, o que reflete uma inflação contida e pressão reduzida pela normalização da política monetária global.

O mercado siderúrgico da região durante janeiro a março de 2019 apresentou uma queda de 3% no consumo de aço laminado em relação ao mesmo período de 2018. A produção regional de aço bruto e laminado até abril recuou 5% e 9%, respectivamente, versus janeiro a abril do ano anterior. Ainda assim, os altos e baixos na produção dos quatro primeiros meses apontam para um aumento no consumo. De janeiro a abril, a produção acumulada de aço bruto e laminado ficou abaixo do indicado em 2018. Há um aumento gradual este ano, e as expectativas são de crescimento, mesmo que o cenário não seja tão positivo quanto 2018.

A região aumentou 17% suas importações entre fevereiro e março de 2019, identificando 4% de crescimento em comparação a janeiro-março de 2018. A participação das importações no consumo regional também aumentou este ano: o consumo regional se abastece agora com 37% dessas importações, em contraposição aos 35% no período de janeiro-março de 2018. O mesmo acréscimo acumulado foi identificado nos dois primeiros meses (35% - 37%), confirmando a dependência do consumo de aço laminado importado, ante as quedas de produção. O déficit registrado em janeiro-março de 2019 foi de 3,5 Mt, com 342 mil toneladas mais que janeiro-março do ano anterior (3,1 Mt).

Produção de aço bruto cresce, mas de laminados cai

Apesar das oscilações negativas relação ao mesmo período acumulado de 2018, provenientes da variação no consumo e das incertezas do mercado, a produção geral de aço bruto cresceu 1% e de laminados caiu 4% em abril, respectivamente, ante março de 2019.
Aço bruto. A América Latina registrou uma produção de 5,2 Mt de aço bruto em abril, 5,6% menor ao resultado do mesmo período de 2018 (5,5 Mt). Para o ano de 2019, foram produzidas 21 Mt, 5% a menos que jan-abril de 2018 (21,9 Mt). O mesmo comparativo acumulado dos três primeiros meses mostrava também 5% de queda, mas o aumento frente aos meses anteriores demonstra uma recuperação do mercado. No ano, o Brasil é o principal produtor com 11,3 Mt, representando 54% do total regional anual.

Aço Laminado. A região produziu 4,2 Mt de aço laminado em abril, 11% abaixo do nível visto no período correspondente em 2018 (4,7 Mt). No ano foram produzidas 16,7 Mt, representando uma queda de 9% frente aos 4 primeiros meses de 2018 (18,3 Mt). O comparativo acumulado no informe anterior apontava 7% de queda. Os principais produtores no ano são Brasil com 7,5 Mt (45% do total latino-americano) e México com 5,9 Mt (35% do total da região).

Maior desequilíbrio da balança comercial

As economias da América Latina tentam evitar outra década perdida. O PIB da região deve crescer apenas 1,4% este ano, segundo estimativa do Itaú BBA, por conta da desaceleração econômica no Brasil e no México, a crise na Argentina e o colapso da Venezuela. Como resultado, as empresas vêm se recusando a emitir mais dívidas, concentrando-se, principalmente, no refinanciamento de vencimentos futuros. E mais companhias estão fazendo ofertas nos mercados domésticos, que possuem bastante liquidez.

Grandes bancos de investimentos reduziram sua exposição a ativos de mercados emergentes, e seus clientes retiraram quantidades recorde de remessas dos países latino-americanos. A região, que ainda tenta se recuperar do final do boom das commodities, apresentou uma taxa de crescimento anual média de apenas 0,7% nos anos.

Este ritmo não acompanha o crescimento da população, o que significa que os habitantes estão mais pobres hoje do que em 2012, como apontam dados do Fundo Monetário Internacional. Segundo o Americas Quarterly, o déficit de investimento em infraestrutura representa 2,5% do PIB, ou US$ 150 bilhões ao ano.

A produção industrial enfrenta cenários de queda em boa parte dos países latino-americanos. Em abril, os níveis foram os mais baixos registrados nos últimos seis meses no Brasil e, em três anos, no México. Enquanto a Argentina acumulou um ano de retrocesso com uma queda de 10,3% em relação a março, e os números mais recentes também revelam retração no Chile, as condições do setor industrial da Colômbia melhoraram em abril com o aumento das vendas.

Importações. Em março foram importadas 2,1 Mt de laminados, 9% a mais que março de 2018 (1,9 Mt). No acumulado de janeiro a março de 2019, a América Latina importou 5,9 Mt de aço laminado, 4% mais que o importado no mesmo período de 2018 (5,6 Mt). Deste total, 70% corresponde a produtos planos (4,1 Mt), 27% a produtos longos (1,6 Mt) e 3% a tubos sem costura (164 mil t).  Em março, as importações de laminados representaram 37% do consumo da região, a mesma porcentagem do primeiro trimestre de 2019, o que traz desestímulos para a indústria local, tensões comerciais e coloca em risco as fontes de emprego.

Exportações.  Em março foram exportadas 716 mil toneladas de laminados, 4% menos que em fevereiro de 2019 (748 mil toneladas) e 24% menos que março de 2018 (937 mil toneladas). No acumulado de janeiro a março as exportações latino-americanas de aço laminado foram 2,4 Mt, 4% a menos que o registrado no mesmo período do ano passado (2,5 Mt). Deste total, 48% correspondem a produtos longos (1,1 Mt), 42% a produtos planos (1,0 Mt) e 10% a tubos sem costura (253 mil t).

Balança Deficitária. Em março de 2019, a região registrou um déficit comercial em volume de 1,39 Mt de aço laminado. Este desequilíbrio é 41% maior que em março de 2018 (0,99 Mt) e 31% maior que em fevereiro de 2019 (1,06 Mt).

O Brasil vem acompanhado da Argentina no balanço positivo do comércio de produtos laminados entre janeiro e março. O primeiro com 666 mil toneladas e a Argentina com um saldo positivo de 14 mil toneladas. Deve-se tomar o saldo positivo argentino com cautela, contudo, devido a sua baixa representatividade, necessitando confirmar nos próximos meses para obter uma projeção mais realista.

Ao contrário, o maior déficit foi registrado no México (-1,7 Mt), seguido pela Colômbia (-526 mil t), Chile (-517 mil t) e pelo Peru (-448 mil t). A evolução dos fluxos de comércio e o saldo podem ser observados no Gráfico 03. ••

Sobre a Alacero
Alacero (Asociación Latinoamericana del Acero) – É uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço da América Latina para fomentar os valores de integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, responsabilidade empresarial e sustentabilidade. Fundada em 1959, é formada por 40 empresas de 20 países, cuja produção é de aproximadamente 70 milhões anuais e representa 95% do aço fabricado na América Latina.

 

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