Aumento da restituição chinesa coloca aço latino-americano em risco

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Medida que fortalece a indústria de aço chinesa na pós-pandemia gera concorrência desleal, o que acarretará queda da indústria na América Latina e perda de empregos

Alacero - São Paulo, junho de 2020. Enquanto a pandemia do novo coronavírus está reduzindo a demanda nos mercados mundiais, os exportadores chineses contam desde o dia 20 de março com um aumento das devoluções de impostos para 1.464 produtos. A taxa de restituição do imposto sobre a exportação de produtos de aço como fio-máquina que aumentou de 0% para 13% e bobinas com ligas de aço laminadas a quente que subiram de 10% para 13% de janeiro de 2019 a março de 2020. O aumento, determinado para reaquecer as operações e fortalecer a indústria local, tem impacto principalmente nas exportações de produtos laminados a quente e fio-máquina, elevando o rebate e gerando uma vantagem de US$ 10 a US$ 15 por tonelada nas exportações.  

As importações em condições desleais podem provocar o fechamento de plantas e a perda de empregos na indústria siderúrgica da América Latina, já que o excedente da China é vendido na região por preços com os quais os produtores nacionais não podem competir. “A forma mais efetiva de captar novos mercados é por meio do preço, e o governo chinês tem capacidade financeira de subsidiar o aço com impacto na América Latina, especialmente agora que muitas portas em outros lugares do mundo estão fechadas para eles. Na região, a nossa indústria trabalha de acordo com as regras do mercado, e não podemos competir nestas condições. Precisamos proteger a indústria regional e não o livre acesso às importações desleais, disse Francisco Leal, Diretor-Geral da Alacero.

A indústria siderúrgica latino-americana é competitiva e opera de acordo com os padrões de governança, qualidade ambiental e segurança de nível mundial. Entre as principais ações possíveis para proteger a indústria doméstica estão a inspeção mais efetiva na alfândega, políticas de garantia de qualidade impostas às importações e a aplicação de todos os instrumentos estabelecidos pela OMC. Diante do excesso de capacidade, fica claro que continua se tratando de uma economia de planejamento centralizada e não de uma economia de mercado.

Estas novas medidas do governo chinês têm o objetivo de proporcionar ajuda imediata para as empresas, e, embora o ano tenha começado com exportações menores, elas estão se recuperando rapidamente. A baixa atividade levou a um recorde nos estoques de aço, que ficaram pelo menos 20 milhões de toneladas acima dos do ano anterior. “Neste contexto, confirmamos que temos capacidade suficiente (na América Latina) para o futuro crescimento da indústria sem necessidade de importações. No México está sendo incorporada a nova capacidade de laminação a quente”, afirma Leal.

A Alacero lidera os esforços para levar a mensagem sobre os perigos desta prática comercial injusta aos líderes de opinião e governos de toda a região, mostrando as dimensões continentais do problema. Estamos pedindo especificamente que os governos latino-americanos estabeleçam regras claras e que ajam com visão e determinação estratégicas. As empresas siderúrgicas latino-americanas são a favor da concorrência e da abertura comercial, mas em igualdade de condições para todos. A única maneira de gerar os empregos de qualidade e o desenvolvimento de que as nossas economias precisam é garantir uma base sólida para a indústria do aço.

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