Balança comercial da América Latina registra menor déficit em 16 meses

-A A +A

A contração econômica em meio à guerras comerciais diminui as importações, mas a região não investe no mercado interno

Alacero - São Paulo, Brasil, 03 de setembro de 2019. A América Latina registrou seu menor déficit comercial de laminados em 16 meses, embora exista um déficit acumulado de 2,0 Mt na produção em comparação com os primeiros sete meses de 2018. A participação das importações no consumo regional fechou no semestre em 36%, após três meses consecutivos em 37%, mesmo percentual observado entre janeiro e junho de 2018. O déficit registrado no período de janeiro a junho de 2019 foi de 6,94 Mt, com 10 mil toneladas a menos que no mesmo período do ano anterior (6,95 Mt).

Além da queda na participação das importações no consumo real, o consumo latino-americano foi reduzido, principalmente para produtos laminados. Esse fator, combinado à incerteza política e à desaceleração econômica, representa um dos principais elementos que impulsionam a baixa atividade da indústria siderúrgica na América Latina.

Nesse cenário, com o pior indicador desde fevereiro, o consumo de aço na América Latina caiu 11,75% em junho em relação ao mesmo mês de 2018, 7% a menos que em maio de 2019 e 3% no acumulado em relação ao primeiro semestre de 2018. O resultado foi 4% inferior à média dos primeiros 5 meses do ano, e os países que lideraram metade desse declínio regional em junho foram, precisamente, o México e a Argentina. Ambos reduziram seu consumo de aço em 10% em relação a maio, em 5,8% e 14,7%, respectivamente, em relação ao mesmo mês de 2018. A produção regional de aço bruto e aço laminado até junho caiu 5% e 6%, respectivamente, na mesma comparação com os primeiros seis meses do ano anterior.

Importações: menor índice desde fevereiro

As importações latino-americanas de aço laminado registraram a menor taxa desde fevereiro de 2018 (1.694 Mt), atingindo 1.699 Mt em junho. A região reduziu suas importações em 17,5% entre maio e junho de 2019, apresentando uma queda de 2% em relação a janeiro-junho de 2018. As maiores quedas foram observadas no México (180 mil toneladas) e no Brasil (60 mil toneladas) , totalizando uma queda de 240 mil toneladas nas importações de laminados. A participação das importações sobre o consumo totalizou 36% no ano, contra 35% no segundo trimestre de 2019.

As exportações continuam caindo

A exportação de laminados na região caiu 9% de Maio a Junho, e agravada por uma diminuição de 6% no acumulado de 2019. Quase metade deste declínio foi representado pelo Brasil (46%), que exportou 45 mil toneladas a menos em relação a maio passado. A Argentina é a segunda maior queda (28%),  que corresponde a 27 mil toneladas a menos exportadas.

Balança comercial indica oportunidade de crescimento

As importações de laminados da América Latina experimentaram uma queda quase quatro vezes maior que a contração das exportações, e a redução do déficit foi a mais baixa desde fevereiro de 2018. Brasil e Argentina foram os únicos a alcançar um saldo positivo, 1,2 Mt e 124 mil toneladas , respectivamente, mostrando uma grande lacuna  de investimentos em infraestrutura de manufatura para construir sua recuperação econômica. O México, com um saldo negativo de 3,5 Mt, representa o maior déficit regional (50% do total da América Latina), acompanhado por reduções também na produção.

“Essa situação mostra que a economia latino-americana vê uma oportunidade de crescer no consumo, estimulando a produção doméstica com o objetivo de suprir a demanda regional. Junto às reduções no consumo, a queda na produção aponta para uma dependência aos acordos comerciais dos Estados Unidos com a China, e outros, como a União Europeia, e ainda são sinais de desindustrialização e perda de competitividade ", diz Francisco Leal, Diretor Geral da Alacero.

Pior produção de aço bruto em 31 meses, perspectiva positiva para laminados

Em julho, a produção de aço bruto da América Latina registrou seu pior índice desde dezembro de 2016, recuando 5% não apenas em relação ao mês anterior, mas também no ano. A queda foi impulsionada em grande parte pelo corte de 373 mil toneladas na produção brasileira, que viu seu índice atingir um nível recorde. Em relação a julho de 2018, a queda na produção latino-americana foi de 15%.

A produção de laminados em julho já era 0,4% superior à média do primeiro semestre, indicando uma perspectiva ligeiramente positiva para o segundo semestre, mas 6% menor até agora este ano. Em relação a 2018, o México mantém uma participação de 69% no déficit regional, registrando em julho um resultado 2% abaixo da média do primeiro semestre. O país representa 20% da queda de 5% na produção de aços laminados da América Latina em julho, em comparação com o mesmo período do ano passado.••

Sobre a Alacero

A Alacero (Asociación Latinoamericana del Acero) é uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço da América Latina para fomentar os valores de integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, responsabilidade empresarial e sustentabilidade. Fundada em 1959, é formada por 40 empresas de 20 países, cuja produção é de aproximadamente 70 milhões anuais e representa 95% do aço fabricado na América Latina.

Contato
[email protected]
+55 11 3195-5803