Cautela na indústria latino-americana do aço, queda no consumo e na produção

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Indicadores da América Latina em janeiro de 2019

  • 5,3 milhões de toneladas de aço bruto produzidos;
  • 4,2 milhões de toneladas de aço laminado produzidos;
  • 5,4  milhões de toneladas de consumo aparente de aço;
  • 4% de queda nas importações de aço;
  • 10% de queda nas exportações de aço.

Alacero - São Paulo, Brasil, 4 de abril, 2019. A atividade econômica na América Latina segue em expansão, mas em um ritmo mais lento do que o previsto anteriormente, comprometendo o avanço da indústria siderúrgica. O mês de março marca um período de estabilidade e expectativas cautelosas para a indústria siderúrgica na região. Em resposta à atitude mais moderada da economia latino-americana, uma vez que grande parte dos países da região revisaram para baixo suas projeções para o PIB do ano (exceto Brasil e Colômbia), a projeção sobre o investimento para o 2019 permaneceu relativamente estável, com exceção da Argentina, México e Venezuela. Peru e Venezuela registram uma melhoria, enquanto grandes potências não atingem o nível esperado de produção, comércio e consumo.

Em março, a projeção para a produção industrial em 2019 cresceu em boa parte da América Latina e Caribe, e a expectativa com relação ao preço final na região também teve alta em grande parte dos países, exceto no México e na Argentina. Embora o mercado siderúrgico da região durante o 2019 de janeiro tenha apresentado uma queda de 5% no consumo de aço laminado em relação a janeiro de 2018, a produção regional de aço bruto e aço laminado em Janeiro caiu 1% e 5%, respectivamente, versus janeiro de 2018, demonstrando incertezas econômicas globais e regionais.

Embora a região tenha diminuido 4% de suas importações, a participação das importações no consumo regional também retrocedeu: o consumo regional é representado em 27% por essas importações, contra 36% em janeiro do ano passado. No entanto, a balança comercial, mesmo que permaneça negativa, está mostrando sinais de evolução.  O déficit registrado em janeiro de 2018 foi 1,2 Mt, com 4 mil toneladas a mais do que no ano anterior (1.176 vs 1.181), no entanto, subiu 11% em relação a dezembro de 2018 (-1,1 Mt).

A produção de laminados oscila enquanto a de aço bruto permanece estável

Apesar das oscilações derivadas da variação de consumo e incertezas do mercado, a produção global de aço permaneceu praticamente estável em janeiro.

Aço bruto.  América Latina teve uma produção de 5,28 milhões de toneladas (Mt) de aço bruto no mês de janeiro de 2019, 1% menor ao registrado no mesmo período de 2018 (5,32 Mt). O Brasil é o principal produtor com 56% do total regional (2,9 Mt), crescendo 2% versus janeiro de 2018.

Aço laminado.  A região produziu 4,2 Mt de aço laminado, 5% menos que janeiro de 2018. Os principais produtores são o Brasil 1,8 Mt (43% do total latinoamericano) e o México com 1,6 Mt (37% do total latino-americano).

Interesse pelo aço diminui

Refletindo o déficit de investimento em infraestrutura na América Latina, a aderência das condições financeiras globais e a queda dos preços dos commodities como resultado de tensões comerciais entre os EUA e a China, fez com que a demanda por aço começasse tímida no ano 2019.

No primeiro mês do ano, a região registrou um consumo de aço laminado de 5,4 Mt, 4% menor que em janeiro de 2018 (5,6 Mt). Os principais países que aumentaram seu consumo, tanto em termos absolutos como percentuais foram a Colômbia (42 mil toneladas adicionais e 15%), a Guatemala (19 mil toneladas e 27%) e Peru (15 mil toneladas e 6%). Em comparação com o mesmo período, os países que se destacaram em consumo foram: México com 2,2 Mt (redução de 2%), Brasil com 1,5 Mt (reduzindo 6%), Argentina com 0,3 Mt (baixando 25%), Colômbia com 0,3 Mt (subindo 15%) e Peru com 0,3 Mt (até 6%). Do total latino-americano, 57% do consumo corresponde a produtos planos (3,1 Mt), 42% a produtos longos (2,2 Mt) e 2% a tubos sem costura (87 mil t).

Déficit segue estático

O déficit da balança comercial do aço na América Latina retornou ao mesmo nível de 2016, com a diferença entre exportações e importações diminuindo 12% em relação ao ano anterior. Em janeiro, a atividade de exportação e importação diminuiu ligeiramente, mesmo com o saldo da balança comercial se mantendo sem mudanças.

Importações. Em janeiro de 2018, América Latina importou 1,9 Mt de aço laminado, 4% a menos que o importado no mesmo período de 2018 (2,0 Mt). Desse total, 70% correspondem a produtos planos (1,4 Mt), 26% a produtos longos (508 mil t) e  3% a tubos sem costura (61 mil t). Atualmente, as importações de laminados representam 27% do consumo da região, que traz consigo desincentivos para a indústria local, fricções comerciais e coloca em risco fontes de emprego.

Exportações. As exportações latinoamericanas de aço laminado foram de 746 mil toneladas, 10% menor que o registrado em janeiro de 2018 (825 mil t). Desse total, 46% correspondem a produtos planos (340 mil t), 40% a produtos longos (299 mil t) e 14% a tubos sem costura (107 mil t).

Balança deficitária. Em janeiro de 2019, a região registrou um déficit comercial de 1,2 mil t de aço laminado. Esse desequilíbrio é o mesmo observado em janeiro de 2018.

O Brasil é o único país que manteve um superávit em seu comércio de aço laminado (214 mil t). Inversamente, o maior déficit foi registrado no México (-584 mil t). Seguiu-se a Colômbia (-186 mil t), Peru (-158 mil t), Chile (-137 mil t) e Equador (-68 mil t). A evolução dos fluxos comerciais e saldos pode ser vista no Gráfico 02.

Produção segue em redução em fevereiro

Informações antecipadas de fevereiro de 2019 indicam que a produção de aço bruto atingiu 5,0 Mt no mês, 5% menor  que em janeiro, e 4% maior que em fevereiro de 2018. De forma cumulativa, entre janeiro e fevereiro de 2019 a produção alcançou 10,3 Mt, 2% menos do que no período entre janeiro e fevereiro de 2018 (10,5 Mt).

A produção de laminados fechou em 3,9 Mt, 7% menor do que em janeiro de 2019, e 7% menor do que em fevereiro de 2018. De forma cumulativa, no período de janeiro a fevereiro de 2019, a produção de laminado atingiu 8,1 Mt, 7% menos do que no mesmo período de 2018 (8,8 Mt).