Consumo de aço atinge níveis anteriores à pandemia

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Exportações refletem recuperação da produção e redução do déficit comercial, no âmbito de uma tendência de crescimento econômico na América Latina

Alacero – São Paulo, 4 de dezembro de 2020. O ritmo de crescimento das atividades siderúrgicas continua com tendência à alta, apesar das perspectivas de uma recuperação desigual nos países da América Latina. Em setembro, o consumo totalizou 5,025 milhões de toneladas (Mt), um aumento de 6,4% em relação a agosto. Esta recuperação foi alavancada principalmente pelo Brasil, México e Peru, respectivamente. No mês, o aço plano representou mais de 85% da recuperação do consumo, enquanto os longos representaram 17,5%. O consumo de aço atingiu 14,245 Mt no terceiro trimestre, o que representa um aumento de 15,9% em comparação com o segundo trimestre. Assim, o consumo atingiu a mediana de 2020 (14,245 Mt) e teve início um processo de recuperação dos níveis anteriores à pandemia da Covid-19 (Ver gráfico 1). Se a tendência se mantiver, há uma luz no fim do túnel para a indústria do aço.

Em outubro, a produção de aço bruto foi de 5,058 Mt, um aumento de 1,7% em relação ao mesmo mês de 2019. Nesse período, a produção de Altos Fornos cresceu 4,8%, para 2,546 Mt, em comparação com setembro, enquanto os Fornos Elétricos atingiram 2,512 Mt, uma recuperação de 10,2% na comparação com o mês anterior. No tocante a produtos laminados, a produção de outubro foi de 4,438 Mt, o que representa um aumento de 8,1% em relação a setembro e 2,6% na comparação com outubro de 2019. A produção de tubos sem costura teve o maior crescimento (26%), em segundo lugar ficaram os planos, com aumento de 8,4%, e depois os longos, com 7,3%.

As exportações tiveram um papel importante no crescimento da produção, representando 14,6% da mesma em setembro, quando a média dos oito primeiros meses foi de 17,6%. Este desempenho contribuiu para a redução do déficit comercial.

As importações representaram 27,6% do consumo em setembro, abaixo dos 34,6% identificados como média dos primeiros oito meses do ano. No entanto, o excesso de capacidade produtiva da região indica que a produção local tem um caminho pela frente. Estes números de importação nos obrigam a ficar atentos e identificar o comércio desleal.

“O que vemos continua sendo uma reativação gradual da capacidade produtiva. No entanto, os produtores da cadeia de valor que precede ao aço, como a do minério de ferro, do carvão e da sucata, ainda não têm as condições ideais para uma retomada produtiva e que acompanhe de forma positiva a siderurgia”, disse Francisco Leal, Diretor-Geral da Alacero. “A produção local é o caminho para uma reativação produtiva e, portanto, se espera que o apoio dos governos melhore as condições para que toda a cadeia de valor possa recuperar seus níveis normais de atividade”, acrescentou.

O maior tratado de livre comércio do mundo 

Depois de oito anos de negociações, dez países da Associação de Países do Sudeste Asiático (Asean) e outros cinco países asiáticos e da Oceania (China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia) concluíram a Associação Econômica Integral Regional (RCEP) em 15 de novembro, reunindo cerca de 30% da população e do PIB mundial sob o novo acordo de livre comércio. Segundo o Atlantic Council, o novo acordo competirá com a União Europeia (UE) como o maior bloco comercial do mundo e será a configuração econômica mais importante da Ásia, com uma participação total de 27,4% do comércio mundial, em comparação com 15% do Tratado Integral e Progressista de Associação Transpacífico (CPTPP). O principal ganhador da RCEP será a China, que assegurou para si uma posição dominante em uma das regiões econômicas mais dinâmicas do mundo, o que proporciona a Beijing a oportunidade de estabelecer as suas regras e padrões preferidos e traz uma grande vantagem para que as empresas chinesas aproveitem esses valiosos mercados.

O comércio bilateral entre a Ásia e a América Latina tem crescido de forma contínua nas últimas décadas. No entanto, a América Latina vende matérias-primas e importa produtos intermediários e bens de capital, o que desloca a indústria manufatureira, agravando o processo de desindustrialização da região. A situação afeta um importante setor demandante de aço. Este processo contribuiu para que a maioria dos países latino-americanos registrasse déficits comerciais crescentes com a China.

O papel da OMC e sua nova liderança

Os membros da Organização Mundial do Comércio estão no processo de seleção de um novo líder, que deverá conduzir a OMC em um momento crítico para o futuro do comércio internacional. Como os Estados Unidos são o maior contribuinte para o orçamento da OMC, é essencial que o novo diretor-geral encontre a maneira de trabalhar com o próximo presidente dos EUA e com a sua equipe comercial. A administração de Joe Biden, segundo o Conselho de Relações Exteriores (CFR), possivelmente usará a OMC como um fórum para reafirmar a liderança dos Estados Unidos em política exterior e em organizações multilaterais, assim como para afirmar seu compromisso com um sistema comercial baseado em regras. Espera-se que a administração Biden lidere os esforços para reformar e revitalizar a OMC, de acordo com o CFR, mas provavelmente preferirá trabalhar com aliados na sua política comercial e utilizar a OMC para enfrentar coletivamente a problemática comercial da China (subsídios, empresas de propriedade do Estado, etc.).

Atualmente existem 305 Acordos Comerciais Regionais (ACR) vigentes e informados à OMC. Os membros da OMC com maior número de ACR vigentes – mais de 25 cada um – são a União Europeia, os Estados da Associação Europeia de Livre Comércio (AELC) e o Chile. “Os ACR constituem um elemento-chave nas relações comerciais internacionais e é preciso fomentar os debates para melhorar a transparência e aumentar a compreensão do seu impacto no sistema comercial multilateral. Ao longo dos anos, os ACR não só aumentaram em número, mas também em profundidade e complexidade”, disse Leal.

Sobre a Alacero

A Alacero – Associação Latino-americana do Aço – é a entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço da América Latina para fomentar os valores de integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança no trabalho, responsabilidade empresarial e sustentabilidade socioambiental. Fundada em 1959, é integrada por mais de 60 empresas produtoras e afins cuja produção é de cerca de 60 milhões de toneladas anuais. A Alacero é reconhecida como Organismo Consultor Especial pelas Nações Unidas.

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