Controle das exportações de sucata é fundamental para a reativação econômica na América Latina

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Demanda pela matéria-prima do aço causará uma distorção ainda maior nos mercados da região

Alacero - São Paulo, Brasil, 8 março de 2021. A mudança na forma de produzir aço na China desencadeará um processo de distorção em mercados emergentes, como a América Latina, em uma importante fase de reativação econômica da região. A China está transformando sua produção de aço de altos-fornos em fornos elétricos, em linha com sua meta de atingir a neutralidade de carbono até 2060, o que exigirá uma quantidade significativa de sucata que antes não consumia. 

Com essa mudança, a demanda por sucata do gigante asiático tende a crescer exponencialmente, causando uma distorção ainda maior em mercados emergentes como a América Latina, que depende da matéria-prima como principal insumo para a produção de aço. Em 2020, a China respondeu por 57% da produção mundial de aço, com 1.053 milhões de toneladas. Este novo fator soma-se ao excesso de capacidade de 590 milhões de toneladas em 2020 que está presente há alguns anos, dos quais a China é responsável por 18%.

Diante do crescimento econômico projetado de 3,6% do PIB na América Latina e Caribe pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2021, a região aposta na execução de novas obras de infraestrutura e construção. Isso irá significar uma maior demanda por aço, para o qual é necessário um volume significativo de sucata para atender às necessidades regionais. Os países latino-americanos estão em tempo de tomar medidas para evitar que essa mudança na indústria chinesa afete os mercados locais, impactando a geração de empregos.

A restrição à exportação de sucata é uma das principais medidas, como fez a Colômbia em 2020 por meio do Decreto 1120, que corresponde a um volume semestral de sucata equivalente a 42% da necessidade para o setor atingir um crescimento de 15%. As medidas de controle contidas no Decreto 1120, que deveriam ser mantidas e até adaptadas às novas condições macroeconômicas, baseiam-se nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC), devido à insuficiência dessa matéria-prima específica e que transformam a sucata ferrosa em um insumo fundamental para indústrias como construção de moradias e infraestrutura. Este ano a estimativa é que os volumes de produção da Colômbia voltem aos níveis de 2019. Um grande esforço da indústria para ter o produto disponível, que deve ser acompanhado de medidas de política pública.

“Na América Latina temos um déficit de sucata, que, além de insumo básico, faz parte da economia circular que promove um futuro sustentável, devido à característica de 100% de reciclabilidade do aço. Há uma apreensão global de sucata por parte dos principais países produtores, o que nos obriga a tomar medidas para exercer maior controle sobre a exportação dessa matériaprima. E seria altamente recomendável que medidas fossem adotadas para exercer maior controle sobre a exportação desse item. Os governos dos países latino-americanos estão em tempo de tomar medidas para evitar que essa mudança na indústria chinesa tenha impacto sobre os mercados locais, afetando a geração de empregos”, disse Francisco Leal, Diretor Geral da Alacero. “É hora de se unir como região para promover uma reativação econômica baseada no consumo interno e na promoção de empregos de qualidade”, acrescentou. ••

Sobre a Alacero

A Alacero - Associação Latino-Americana do Aço - é a entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço latino-americana para promover os valores da integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança no trabalho, responsabilidade corporativa e sócio- sustentabilidade ambiental. Fundada em 1959, é composta por mais de 60 empresas produtoras e coligadas, cuja produção é próxima a 60 milhões de toneladas por ano. A Alacero é reconhecida como um órgão consultivo especial pelas Nações Unidas.

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