Indústria do aço vê oportunidades de reindustrializar a América Latina

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O congresso anual do Alacero, que foi realizado pela primeira vez virtualmente e contou com a participação de mais de 3.000 pessoas, trouxe perspectivas de recuperação para as economias e um olhar otimista para 2021

Alacero – São Paulo, Brasil, 13 de novembro de 2020.  Com mais de 3.000 participantes, o Congreso Virtual Alacero 2020 foi realizado nesta terça-feira (10). Foi a primeira vez que o evento anual da associação foi realizado inteiramente online. O encontro apresentou o cenário atual da indústria do aço na América Latina, bem como as perspectivas dos especialistas mais influentes do mundo para o restante deste ano, 2021 e o futuro.

Na abertura do Congresso, presidente da Alacero, Máximo Vedoya, destacou que "o grau de desenvolvimento da região nos mostra que ainda temos muitas oportunidades de crescer. Um indicador que utilizamos na indústria é o Consumo Aparente de Aço na América Latina. Esse consumo de aço é de 100 kg por habitante, enquanto nos Estados Unidos chega a quase 300 kg, e 630 kg na China. Há espaço para crescimento em nossos países, seja na fabricação de bens duráveis, seja na necessidade de infraestrutura, energia e habitação".

O primeiro painel de analistas incluiu Dani Rodrik, um dos 100 economistas mais influentes do mundo; Andrés Malamud, especialista em instituições democráticas, política externa e processos de integração regional, e Andrés Oppenheimer, comentarista da CNN e um dos intelectuais mais influentes da América Latina. As exposições trouxeram uma mensagem comum: educação e reindustrialização são necessárias para poder competir em uma economia em que o modelo hiperglobalizado está esgotado e as cadeias produtivas regionais estão sendo construídas. A possibilidade de atração dessas cadeias dependerá da capacidade de integração regional e de políticas públicas e ações privadas que contribuam para o seu desenvolvimento. Além disso, para fazer isso em um contexto cada vez mais tecnológico e robótico, são necessários melhores sistemas de ensino, melhor formação dos trabalhadores e maior coesão social, em uma região onde a desigualdade é um dos maiores problemas. Moderado por Paolo Rocca, presidente e CEO do Grupo Techint, que resumiu o painel comentando que "a América Latina tem uma oportunidade histórica de reivindicar o desenvolvimento industrial e o desenvolvimento de sua cadeia de valor integrada com uma dinâmica significativa".

O encontro virtual da Alacero trouxe à luz a visão das administrações públicas sobre a recuperação desigual da economia nas diferentes regiões. O papel dos governos no novo contexto também foi discutido com a Dra. Graciela Márquez Colín, Secretária de Economia do México, que destacou o papel das PMEs e salientou que a América Latina deve aproveitar a realocação para atrair as empresas que migram para a China. "Devemos tornar nossos países atrativos para essas empresas em um momento em que as cadeias globais estão sendo encurtadas", disse ela. Por sua vez, Carlos Alexandre da Costa, Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia do Brasil, indicou que "o processo de reindustrialização é possível graças a um ambiente macroeconômico adequado, mas também a uma série de micro-reformas projetadas para garantir um bom ambiente para os negócios". O debate foi moderado por Sergio Leite de Andrade, presidente da Usiminas.

Ao final do encontro, os participantes puderam ouvir dos CEOs das maiores siderúrgicas da região suas perspectivas sobre a América Latina e os desafios enfrentados em todos os países. A mesa contou com a participação de Máximo Vedoya, CEO da Ternium e presidente da Alacero; Carlos Zuluaga, CEO da Acesco; Gustavo Werneck, CEO da Gerdau; Jefferson de Paula, CEO da ArcelorMittal; e Raúl Gutiérrez, CEO da Deacero. O debate foi moderado por Maria Juliana Ospina, Diretora Executiva do Comitê Siderúrgico da Associação Nacional de Industriais da Colômbia (ANDI).

"A indústria siderúrgica latino-americana é extremamente competitiva em termos globais. Temos muitas vantagens sobre a Ásia e, em condições de mercado justas, podemos nos destacar. A indústria faz parte da solução para a integração regional; É o motor do crescimento social, fator impulsionador das PMEs e gerador de empregos de qualidade para responder a uma América Latina que exige crescimento, desenvolvimento e, acima de tudo, maior inclusão. A América Latina tem uma oportunidade histórica de realmente fazer a diferença e voltar ao caminho do crescimento", disse Máximo Vedoya, presidente da Alacero. ••

Você pode conferir o evento completo aqui.

Sobre a Alacero

Alacero – Asociación Latinoamericana del Acero – organização civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço latino-americana para promover os valores da integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança do trabalho, responsabilidade empresarial e sustentabilidade socioambiental. Fundada em 1959, é composta por mais de 60 empresas produtoras e coligadas, cuja produção se aproxima de 60 milhões de toneladas por ano. A Alacero é reconhecida como um órgão consultivo especial pelas Nações Unidas.

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