Indústria siderúrgica latino-americana prevê cenário positivo com pontos de atenção

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Destaques da América Latina em 2018:

• 65,1 milhões de toneladas de produção de aço bruto

• 53,7 milhões de toneladas de produção de laminados

• 67,0 milhões de toneladas de consumo aparente de aço

• Importações de aço latino-americano diminuíram 10%

• Exportações de aço da América Latina caem 8%

Alacero - São Paulo, Brasil, 7 de março de 2019. Ecoando o ritmo da desaceleração na economia comparada com mercados globais, o baixo consumo per capita e as barreiras que deterioram o mercado siderúrgico regional, a América Latina sofreu quedas em seu comércio, mantendo uma tendência de melhoria no déficit da balança comercial.

Em 2018, o consumo de laminados caiu 1% enquanto a produção de aço bruto e laminados subiu 3,4% e 1,6%, respectivamente, em relação a 2017. É de notar que foi positivo que este aumento tenha sido substituído por importações, cuja participação ou share anual caiu 3%. Para começar o ano, já em janeiro, a produção de aço bruto cresceu 2,2% na mesma comparação, atingindo 5,4 milhões de toneladas.

O consumo doméstico em 2018 foi suprido em 33,8% pelas importações, que diminuíram 9,7% em relação a 2017. A balança comercial continua negativa, mas o déficit em toneladas caiu 11% em comparação com 2017. "O consumo e a exportação foram os principais motores que mantiveram a atividade da região no ano passado. Em 2019, a maior contribuição virá do setor de construção e criação de infraestrutura, apesar de a maioria dos países esperar um crescimento moderado, já que este setor tem a maior capacidade e potencial de crescimento”, disse Francisco Leal, diretor geral da Alacero.

Produção cresce com o Brasil mantendo a liderança

Aço bruto. A América Latina e o Caribe apresentaram uma produção de 65,1 Mt, 3,4% a mais que em 2017. O Brasil continua sendo o principal produtor, com 53% de participação no total produzido na região (34,7 Mt), um aumento de 1% em relação a 2017. A produção de aço bruto na América Latina alcançou 5,4 milhões de toneladas em janeiro de 2019, representando um aumento de 2% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Aço laminado. A região produziu 53,7 Mt de laminados, 2% acima do resultado alcançado em 2017.  O Brasil é o principal produtor com 23,1 Mt, 43% do total latino-americano, participação que aumentou 3,2% em comparação a 2017. O México ficou em segundo lugar respondendo por 35%, com 19 Mt. Para janeiro ainda não temos informações completas para relatar.

Consumo de aço laminado desacelera

Em 2018, a região registrou um consumo de aços laminados de 67 Mt, recuando 1% em relação a 2017. Os países que sofreram as maiores quedas foram: México, Peru e Costa Rica, que sofreram reduções de 3,2% (-0,9 Mt), 16,4% (-0,6 Mt), 11,2% (-0,1 Mt) respectivamente, sem contar a Venezuela, onde não temos precisão da informação. Os principais países que viram seu consumo crescer, tanto em termos absolutos quanto percentuais, foram Brasil (1,4 Mt e 7,3%), Paraguai (0,12 Mt e 35,9%) e Colômbia (0,1 Mt e 0,6%). Do total latino-americano, 56,5% correspondem a produtos planos (37,9 Mt), 42% a produtos longos (28,0 Mt) e 1% a tubos sem costura (1,0 Mt).

Balanço latino-americano continua deficitário

Em 2018, a balança comercial, apesar de continuar negativa, viu o déficit recuar 11% em relação ao observado em 2017 (14,5 Mt) fechando o ano em 12,9 Mt. Durante 2018, Brasil e Argentina foram os únicos países que mantiveram um superávit no comércio de laminados, 2,4 Mt e 0,8 Mt, respectivamente. O maior déficit foi registrado no México (-6,6 Mt), seguido pela Colômbia (-2,4 Mt), o Chile (-1,6 Mt) e Peru (-1,6 Mt).

Importações. No ano passado, a América Latina importou 22,7 Mt de laminados, 10% a menos que em 2017 (25,1 Mt). Desse total, 70% correspondem a produtos planos (16,0 Mt), 27% a longos (6,1 Mt) e 3% a tubos sem costura (0,6 Mt). Em dezembro de 2018, as importações de laminados de aço da região aumentaram 9% em relação ao mesmo mês de 2017, totalizando 1,9 Mt.

Atualmente, as importações de laminados representam 34% do consumo da região, no entanto, viemos de um “share” de 30% em 2013 com uma taxa de crescimento que até este ano foi interrompida por uma queda. O gráfico trimestral que mostra novamente a tendência no 4º trimestre de 2018 é impressionante, quando subiu de 34% para 36%. É urgente cuidar disso em nossa região, pois essas importações trazem desestímulos para a indústria local, fricções comerciais e coloca em risco investimentos e empregos.

Exportações.  As exportações latino-americanas de laminados alcançaram 9,8 Mt, 8% a menos que em 2017 (10,6 Mt). Desse total, 44% correspondem a produtos planos (4,3 Mt), 42% a longos (4,1 Mt) e 14% a tubos sem costura (1,3 Mt). A evolução dos fluxos de comércio e o balanço são apresentados na Figura 04.

Produção avança no início do ano

Informações de janeiro de 2019 indicam que a produção de aço bruto atingiu 5,4 Mt no mês, 8% a mais do que em dezembro de 2018 e 2,2% acima do registrado em janeiro do mesmo ano. "Tudo indica que o investimento não se encontra mais dificultado pela chegada de novos governos no Brasil e México, o que deverá ser um fator importante por trás da aceleração da produção neste ano e no próximo. A inflação foi reduzida de forma significativa em 2018 em muitos países, o que proporciona alguma margem para facilitar a política monetária", projeta Francisco.

Com o consumo interno e as exportações garantindo o crescimento da indústria siderúrgica latino-americana, espera-se que, entre 2019 e 2020, o consumo aparente de aço ganhe novo impulso, com base na maior tendência de investimento em mercados regionais e maior confiança nos setores de Construção e Industrial.