Produção de aço atinge níveis pré-pandêmicos

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Indústria se recupera mas segue alheia às condições operacionais e financeiras estáveis​

Alacero - São Paulo, Brasil, 18 de novembro de 2020. A recuperação econômica nos países da América Latina, tem sido muito variada, mas algo em comum é a resiliência dos setores consumidores de aço que, por se tratar de um material essencial, não só está presente na recuperação, mas é um de seus motores de crescimento. Neste contexto, a produção de aço atingiu níveis pré-pandêmicos, acompanhando uma forte recuperação do consumo em todos os setores, assim como a construção civil e automotiva, particularmente na Argentina e no México

Embora o resultado da produção de aço bruto em setembro, no total de 4.686 milhões de toneladas (Mt), represente uma queda de 2,5% em relação a agosto, a queda foi de apenas 0,2% em relação ao valor registrado no mesmo período de 2019. Nesse período, a produção de altos fornos diminuiu 7,1% (2.408 Mt) em relação a agosto, enquanto a produção dos fornos elétricos atingiu 2.278 Mt, um total 2,9% superior.

Em produtos laminados, a produção de setembro atingiu alta de 4,6% frente ao resultado de agosto, em grande parte devido ao desempenho positivo no Brasil, México e Peru. O avanço, porém, não foi suficiente para conter o declínio interanual de 6,5%. A produção de tubos sem costura cresceu 7,3%, seguido por um aumento de 6,7% em produtos planos e 2,8% em longos.

Em agosto, o consumo de aço na América Latina cresceu 5,3% em relação a julho, principalmente devido ao desempenho do México, Chile e Argentina, que registraram crescimentos de 10,9%, 19,8% e 9,5%, respectivamente. Os produtos planos responderam por 47,3% da recuperação, os produtos longos por 43,2% e os tubos sem costura por 9,5%. Por causa da pandemia, a redução dos estoques para a preservação do fluxo de caixa foi uma consequência direta para muitos produtores de aço, devido à falta de horizonte para a retomada do mercado.

No entanto, com o aumento repentino da demanda, as cadeias de valor precisam se normalizar, se reorganizar e ter tempo para se ajustar. “A recuperação nos países da região tem sido muito variada, o que pode levar a um retorno desigual à normalidade e requer previsibilidade, sem pânico, por parte dos setores consumidores para que as siderúrgicas possam retomar seus níveis operacionais” disse Francisco Leal, Diretor Geral da Alacero.

Em agosto, as 37 mil toneladas importadas em relação ao mês anterior e as 58 mil toneladas a menos nas exportações, fizeram com que o déficit passasse de 746 mil toneladas em julho para 841 mil toneladas em agosto. No entanto, no ano, após uma queda acumulada do déficit comercial de 15,7% até o momento, as importações caíram 2.710 Mt e as exportações 1.068 Mt. Embora seja uma queda moderada, a baixa nas exportações indica a reorientação da indústria ao consumo local e a normalização de stocks.

Apesar da relativa melhora no mercado siderúrgico, a indústria está trabalhando com 60% da capacidade instalada, acima dos 45% registrados em abril, mas longe dos 80-85% necessários para trabalhar em melhores condições operacionais e financeiras.

A atual conjuntura indica que devemos estar atentos à possível onda de importações que pode chegar em condições desleais de comércio e causar distorções na recuperação gradual da demanda.

O desafio de curto prazo é esperar melhores condições para que toda a cadeia de valor possa retomar suas plenas atividades. "Essa recuperação indica que estamos mais perto do que nunca da oportunidade de reindustrializar a região, integrando novas cadeias de valor geograficamente mais próximas das matérias-primas e dos mercados", complementou Leal. ••

 

Sobre a Alacero

Alacero – Asociación Latinoamericana del Acero – é a entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor latino-americana de aço para promover os valores da integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança do trabalho, responsabilidade corporativa e sustentabilidade socioambiental. Fundada em 1959, é composta por mais de 60 empresas produtoras e coligadas, cuja produção é próxima a 60 milhões de toneladas por ano. A Alacero é reconhecida como Órgão Consultor Especial pelas Nações Unidas.

 

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